DILL IN DELÍRIOS PUROS DA PROVÍNCIA
 

ARTE DE CRIANÇA

E o pequenino

pé, zinho

dedinho sem unha pisa no canteiro

de flores rasteiras,

silvestres policromo.

Cantando canelinha, correndo lá de fora

pintando cozinha, sala, quarto...

O pai deitado preocupado é borrado de arte

nas pernas, no rosto, peito...

Lado esquerdo acalmado...

Um sorriso, novo sopro de vida,

nova arte por vir.



Escrito por Dil às 10h10
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NOVA LEITURA

MUDEI A MEDIDA DO TEU CAFÉ.

ESPATIFEI OS CACOS DO PARADIGMA,

ESTABELECIDO.

NO MICRO JARDIM, SEU

ERGUI A CABEÇA DO TEU GIRASSOL PREFERIDO!

PRECISAVA TOMAR SOL NA CARA...

FLEXIBILIDADE, MUDANÇA, ATITUDE?

TUA POUCA IDADE ENTENDERÁ

SABE LÁ UM DIA:

QUE NÃO DESEJEI AMARGAR LOGO CEDO TEU DIA,

MUITO MENOS BRONZEAR TEU GIRASSOL... 

TÃO SOMENTE ERA TEMPO DE REVER CONCEITOS.



Escrito por Dil às 09h54
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CRIANÇA HOMEM MILAGREIRO

O bebezinho nasceu.

Virou menininho, sem berço.

Cresceu menino, homem.

Queria sempre na tábua estar,

sua sala de estar.

Estreita perfeita, macia dele estar.

                   Nada de comidinha, papinha...

                   Bebia água, sede a viver...

                   Bebia leite, fome a viver...

                   Doce simples alimento

                   do menininho da tábua:

                   leite e água!

No sítio de terra árida

pouca produção não dava pro sustento dos pais.

O menininho homem de 20 anos

chora a injustiça da pobreza.

Lágrimas de milagre a anunciar.

                   Saudades de Deus,

                   o levam no colo pro céu.

Uma igrejinha cresce no túmulo

da criança que Deus levou num dia de alegria.

Rezas inflamam o lugar,

cantos entoando fé!

Levanta da cadeira um aleijado,

anda!

                  O milagre ganha o mundo à volta.

                  E romarias, longas romarias

                  a comemorar todo ano

                  o aniversário do menininho milagreiro.

Suor, doença desespero...

Tempero forte na manifestação da crença.

O menino da tábua intercede,

chocalho, sons brandos que acalmam saram,

almas providas de verdade,

desprovidas de vida.

 

 



Escrito por Dil às 09h37
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PONTO DE VISTA

Subitâneo o professor revira a aula:

_ Ei jaque, que vale mais pra ti:

Um olhar apaulado luminoso que penetra manso

ou uma palavra navalha que sacode rasga tua alma?

_ Hum...

A aluna a refletir:

_ As duas coisas!

_ Como assim?

_ Hoje, amanhã, depois sempre

olharei e escutarei mais atenta,

as palavras escritas faladas.

 



Escrito por Dil às 10h42
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RUMOS

Então o pingo cristalino da goteira

do conta-gotas virou pedra.

Pedra de diamante.

Estamparam a jóia nas costas da minha camiseta

e a tatuaram no meu dorso vazio...

E humano insano que sou,

por hora tufei-me, envaidecido!

                Até que na corrida pra manter saúde frágil,

                topo com meu aluno engraxate,

                procurando restos no lixo do ponto de ônibus,

                cheio, desconfiados...

Segui meu caminho de marcha leve,

Fervente três rumos a martelar:

Um dia precioso?

Um dia carecente!

Uma poesia reclamando nova vereda...

 

 



Escrito por Dil às 10h34
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PENA?

O VENTO LEVANTA A PENA

QUE SE DESPRENDE DE TU

JOVEM ANTES PURA MADALENA

QUE CUMPRE PENA

MAIS QUE NÃO TEM PENA

DA PENA QUE O VENTO

LEVA SEM PENA.



Escrito por Dil às 15h36
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SEPARAÇÃO

No quarto de cinzas

as brasas vermelhas

cinzas abrasadas

estão agora espalhadas frias.

Um manto macio bordado por uma agulha de lágrima.

E a boca cheia de desespero

soprou pro céu a cinza da vida ilhada.



Escrito por Dil às 09h25
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TEMPO

Tempo curto, tempo médio.

Longo, longa duração de tempo.

( Apenas conceitos)

Tempos históricos, tempo de toda história macro ou micro:

Vale medalha de ouro

ou, simplesmente, coroa de louro.

Herói hoje mito,

gente, somente gente amanhã...

O tempo...

O tempo muda,

o sol esfria,

fica mais quente!

A chuva cai, a chuva vai...

O tempo volta,

um trem de carga rangindo lento sumindo.

E no tempo frio seco

as visoses gripes alergias nos tomam tempo,

nos damos um tempo necessário, de repouso.

Ainda no frio o tempo ou no calor do tempo,

corpos se aproximam mais, se afastam demais.

Sem tempo até mais, ou nem isso, o tempo foi demais!

Mais é o tempo generoso cruel,

fábrica de renovação,

linha de destruição...

E nada de brigar com o tempo

enraizado desde os primeiros tempos!

Tempo, assim tempo muda os cabelos,

a cor, o comprimento,

o formato do nariz, da boca orelha, o tom da face,

a rapidez do movimento.

O tempo?

modifica cumprimentos,

envelhece novos documentos!

Eita que tempo...

O tempo a modificar sem parar número de roupa,

casa, telefone...

Dependendo do tempo

o corpo ganha mais menos roupa,

certo mesmo é que renova guarda-roupa.

O tempo derruba folhas

flores murchas secas,

o tempo desnuda árvores...

E das roseiras,

o tempo permite por um tempo

espinhos sós...

Mas novos tempos e novas folhas a brotar,

brilhantes revigoradas.

E das flores abertas

nova essência a perfumar ares pares!

Ahhhhh...

Ainda da tempo

de contemplar flores cobrindo campos abertos

a perder de vista sem cercas e secas.

Ou pequenos canteiros,

o tempo é duro suave sincero,

age certeiro!

O tempo fortalece pequenas coisas,

enfraquece grandes coisas

( não é regra)

ou apenas fica parado nele próprio tempo...

O tempo é curto duma vida,

médio longo de uma história

mesmo que não impressa registrada

só, na memória,

o tempo corrompe memórias

e histórias são esquecidas.

Fato concreto no livro do tempo!

No livro de todo mundo sempre um abismo

em determinado tempo.

Restos de vida mal vivida que não importa ou importa demais...

O tempo sem medida ou o tempo calculado

num dado tempo...

Mas não todo tempo é determinante velho novo!

E neste meu tempo nestes tempos desiguais,

só a consolidar sentimentos ternos

ao próximo, ao perto

ou a quem está longe,

por questões geográficas.

 



Escrito por Dil às 09h00
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DESLIGUE-SE DESTA TELA SÓ POR AGORA

TREMULANDO MESMO ABRA LOGO ESTA JANELA

E GRITE TUA POESIA DA TERRA

AO MENOS AO MUNDO DA TUA RUA!

AFINAL, ADIANTA IR ALÉM?



Escrito por Dil às 08h56
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DOCE LEMBRANÇA

_ Lucinha...

Ei mocinha bonita...

Corre pra cá se deliciar.

Casquei uma cana só pra você, está doce feito mel!

A mocinha faceira corre ao encontro do menino ousado.

E os dois se lambazum chupando cana,

grudando e rangendo os dentes despreocupados, enamorados...

O caldo escapa das bocas vagarosamente.

O colo da mocinha acelerado

e o peito do menino empoeirado reluzem,

acariciados pelo sol fervente das duas da tarde.



Escrito por Dil às 08h46
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18 DE JULHO

O VENTO E A CHUVA DESTA MADRUGADA

REPRESENTANDO UM DEUS COMOVIDO

MOVEU DE VEZ A ROLETA CORTANTE POR TODO TEU CORPO FRÁFIL,

DOENTE.

DESENFREADA LEVOU-TE EMBORA.

VOCÊ SORRIU MUITO DURANTE TUA POUCA VIDA

E VOCÊ MORREU DORMINDO MENINO GUILHERME.

TEU PRÔ HOJE CHORA...

PRA SEMPRE SAUDOSA AUSÊNCIA.



Escrito por Dil às 09h51
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UM VALE

Brancos devaneios, transparente uma lua, forma de sorriso...

Sem menor pretensão: pra mim!

Uma sol de rachar e uma brisa a refrescar.

Ao fundo do vale, montanhas azuis.

Ahhh, é lá que com você

quero me deitar por dias...

Engravidá-la!

Construír uma pequena cabana pra receber, quem sabe,

a pequena Ana!

Depois arar a terra fértil, plantar...

Depois da chuva ver a vida no solo germinar.

À tardinha ver os campos crescendo verdejar

e de manhã, revestidos de orvalho,

Vê-los maduros brilhar.

Sim...

Isto que é a vida pura minha querida!

Eu você e a filhota Ana,

bobas músicas cantando,

ceifando, ceifando...

Armazenado depois pra sempre

o sublime viver de uma vida singela.



Escrito por Dil às 09h32
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NA MADRUGADA CONGELO NO EXÍLIO DO LEITO

AO NÃO PODER VER VOCÊ EXILADA NO RISCO DE LUA

ME SORRINDO



Escrito por Dil às 11h27
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ÍCARO

Fraudinha é chupeta doce

Do dono absoluto do sonho

Do sono

Do sorrisinho

Do brinquedo

Do chorinho noite e dia

E do enredo

Pra sempre da minha vida de pai.



Escrito por Dil às 11h21
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TRÓPICOS

CAFÉ E FÉ CONTRA-FILÉ E FÉ CAVIAR E FÉ

HÓSTIA DE PÃO E FÉ FEIJÃO E FÉ SOPA DE CACTO E FÉ

O DIA NÃO MORRE COM FÉ

O DIA ACABOU GRAÇAS COM FÉ

REMANDO CONTRA A MARÉ COM FÉ

VELEJANDO AO SOL COM FÉ!

 



Escrito por Dil às 11h04
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